VOCÊ NÃO CHEGOU ONDE ESTÁ PARA PERMANECER QUEM SEMPRE FOI
Existe um momento silencioso na trajetória de quem lidera — um instante em que a competência técnica já não basta, os títulos perdem o brilho e as conquistas passadas começam a parecer pequenas demais para o tamanho do que se exige agora. É o momento em que você percebe, com uma clareza desconfortável, que chegou a um lugar onde quem você tem sido não será suficiente para onde precisa ir. E aí, diante dessa percepção, surgem duas escolhas radicalmente opostas: recuar para o território conhecido ou atravessar o abismo que separa a versão segura de si mesmo da versão que você ainda não ousou ser.
A maioria das pessoas, quando confrontada com essa encruzilhada, escolhe a primeira opção sem nem perceber que escolheu. Recuam disfarçadamente. Mantêm as aparências de avanço enquanto, internamente, fortalecem as mesmas estruturas de pensamento, as mesmas reações automáticas, os mesmos padrões de relacionamento que sempre os definiram. Mudam de cargo, mas não de postura. Assumem responsabilidades maiores, mas continuam operando a partir das mesmas crenças limitantes. Ocupam cadeiras mais altas, mas permanecem emocionalmente sentados no mesmo lugar de sempre.
E funciona — por um tempo. Até que não funciona mais. Porque o mundo não espera. As exigências se intensificam. A complexidade cresce. E a pessoa que você tem sido, por mais competente que seja, revela-se insuficiente diante da magnitude do que a vida está pedindo agora. Não porque você é incapaz. Mas porque você está tentando enfrentar desafios novos com uma identidade antiga. E identidades antigas, por mais que tenham lhe servido bem no passado, eventualmente se transformam em prisões invisíveis.
O problema não é técnico. Nunca foi. Você sabe gerenciar projetos, liderar equipes, entregar resultados. O problema é existencial. É que você ainda está operando a partir de uma versão de si mesmo que foi construída para sobreviver em contextos que já não existem mais. Aquela versão de você que aprendeu a ser indispensável para se sentir valiosa. Aquela versão que evita confrontos porque, lá no fundo, acredita que ser amada é mais importante do que ser respeitada. Aquela versão que busca validação externa porque nunca aprendeu a se validar internamente.
E agora você está em salas onde essa versão não cabe mais. Está diante de pessoas que não precisam que você seja simpática — precisam que você seja clara. Está em contextos onde agradar não constrói autoridade, apenas a corrói. Está assumindo responsabilidades que exigem não apenas competência, mas presença. Presença real. Não a performance de presença. Não a simulação de confiança. Mas a capacidade de ocupar um espaço sem pedir permissão, de tomar decisões sem precisar de validação coletiva, de sustentar desconfortos sem colapsar emocionalmente.
E aqui está a verdade que ninguém lhe contou: você não desenvolve presença executiva aprendendo técnicas de comunicação ou postura corporal. Você desenvolve presença executiva morrendo para a necessidade de ser quem os outros precisam que você seja. Presença não é algo que se adiciona. É algo que emerge quando você finalmente para de performar.
PRESENÇA NÃO É POSTURA — É ESTADO NEUROFISIOLÓGICO
A maioria das pessoas acredita que presença executiva é sobre como você se apresenta: voz firme, postura ereta, contato visual direto, gestos controlados. E passam anos tentando “melhorar a presença” ajustando variáveis externas, como se liderança fosse teatro bem ensaiado. Mas presença real não tem nada a ver com performance corporal. Tem tudo a ver com regulação do sistema nervoso autônomo.
Quando você está em presença genuína, seu corpo entra em um estado específico que a neurociência chama de ativação ventral vagal — o ramo do sistema nervoso parassimpático responsável pela conexão social segura. Nesse estado, você tem acesso simultâneo ao córtex pré-frontal (responsável por clareza estratégica, raciocínio complexo, tomada de decisão) e à amígdala regulada (capaz de processar ameaças sem colapsar em reatividade defensiva). É um estado raro, sofisticado, que a maioria das pessoas nunca experimenta em contextos de alta pressão.
Quando você está em performance — tentando gerenciar impressões, controlar como é percebida, manter a fachada de competência inabalável —, você ativa um estado completamente diferente: o modo de ameaça social. Seu sistema nervoso simpático dispara, liberando cortisol e adrenalina. Sua frequência cardíaca aumenta e se torna caótica. Sua voz sobe de tom e acelera. Seus gestos ficam tensos ou excessivamente controlados. E, mais importante: você perde acesso ao córtex pré-frontal. Literalmente. Suas capacidades executivas — raciocínio estratégico, empatia cognitiva, criatividade, discernimento — ficam comprometidas porque toda sua energia está sendo consumida pela gestão de impressão.
E aqui está o que ninguém lhe disse: o outro sente isso antes de entender racionalmente. Presença não é percebida pela mente consciente do interlocutor. É sentida pelo sistema nervoso dele. Quando você está em presença real — regulada, ancorada, ventral vagal ativado —, o corpo do outro responde inconscientemente com segurança, abertura, confiança. Quando você está em performance — desregulada, ansiosa, modo ameaça ativado —, o corpo do outro responde com desconfiança, defensividade, distância.
Isso não é mística. É biologia. É o que acontece quando dois sistemas nervosos interagem. E é por isso que você pode dominar todas as técnicas de comunicação do mundo e ainda assim não ter presença executiva real. Porque técnica não regula sistema nervoso. Consciência sim.
Pense em uma situação concreta: você está em uma reunião de diretoria. Alguém questiona sua decisão publicamente, com agressividade velada, tentando lhe desestabilizar diante dos outros. Se você está em performance, seu corpo entra imediatamente em modo ameaça: coração acelera, respiração fica curta, voz aguda, gestos defensivos. Você responde rápido demais, justifica excessivamente, contra-ataca ou se retrai. E todos na sala sentem a desregulação — mesmo que não saibam nomear o que estão sentindo. A autoridade se esvai naquele instante, não porque você “perdeu a compostura”, mas porque seu sistema nervoso colapsou sob ameaça social.
Agora imagine a mesma situação, mas você está em presença real. Alguém te ataca verbalmente. Você percebe a ativação no seu corpo — o impulso de defender, de justificar, de contra-atacar. Mas em vez de reagir automaticamente, você respira. Profundamente. Conscientemente. Você ancora sua atenção na sensação dos pés no chão, das costas na cadeira. Você não foge do desconforto. Você o sustenta. E seu sistema nervoso, em vez de colapsar em modo ameaça, permanece em ventral vagal. Sua voz não acelera — na verdade, ela desacelera e desce de tom. Você olha para a pessoa que te confrontou, sem rigidez, sem agressividade, mas também sem submissão. E responde devagar, sem defensividade: “Interessante que você levante isso. Vamos olhar juntos para os dados que embasaram a decisão.”
O que aconteceu ali? Você não usou “técnica de comunicação não-violenta”. Você simplesmente não colapsou. E quando você não colapsou, o campo emocional inteiro da sala se reorganizou. O que era confronto virou diálogo. Não porque você “gerenciou a situação”, mas porque seu sistema nervoso regulado se tornou âncora regulatória para os outros sistemas nervosos presentes.
Isso é presença executiva real. E ela não se treina com cursos de oratória. Ela se treina desenvolvendo consciência interioceptiva — a capacidade de perceber o que está acontecendo no seu corpo em tempo real — e regulação autonômica — a capacidade de escolher conscientemente seu estado nervoso em vez de ser sequestrado por ele.
A maioria dos líderes passa a vida inteira tentando “melhorar a presença” ajustando variáveis externas. E falham repetidamente porque estão lidando com o sintoma, não com a causa. Presença não é o que você faz. É o estado a partir do qual você age.
PRESENÇA NÃO É DOMÍNIO — É CAMPO RELACIONAL
Existe uma confusão generalizada sobre o que significa “ocupar espaço” como líder. A visão tradicional — ainda amplamente ensinada em programas de liderança — é que presença executiva significa dominar a sala: falar mais alto, interromper quando necessário, impor suas ideias, garantir que todos saibam quem está no comando. É uma visão de liderança como controle. E funciona — em ambientes militares, em situações de crise aguda, em contextos onde obediência rápida é mais importante que pensamento crítico.
Mas em ambientes complexos, onde inovação importa, onde decisões precisam integrar múltiplas perspectivas, onde engajamento genuíno é mais valioso que obediência passiva, esse modelo de presença colapsa. Porque presença executiva real não é sobre dominar o espaço. É sobre reorganizar o campo relacional de forma que todos os presentes possam acessar seu melhor pensar.
Quando você está em presença genuína, algo extraordinário acontece: o espaço não precisa ser ocupado por você — ele se reorganiza naturalmente ao redor da sua ancoragem. Não porque você é a pessoa mais importante da sala, mas porque você é a pessoa mais regulada. E regulação emocional é contagiosa. Sistemas nervosos corregulam. Quando você permanece ancorada, os outros conseguem se ancorar. Quando você não colapsa sob tensão, os outros conseguem sustentar tensão sem fugir.
Isso tem um nome na psicologia organizacional: segurança psicológica. Amy Edmondson, professora de Harvard, passou décadas estudando por que algumas equipes inovam e outras estagnam. E descobriu que o diferencial não é talento, não é diversidade, não é método. É a capacidade do grupo de se arriscar sem medo de humilhação. E segurança psicológica não se cria com discursos sobre “aqui todos podem falar” — se cria com a presença regulada do líder, que demonstra, através do próprio sistema nervoso, que desconforto não é perigo.
Veja a diferença concreta: você entra em uma sala onde duas pessoas da sua equipe estão em conflito aberto. A tensão é palpável. Todos os outros estão desconfortáveis, evitando olhar, torcendo para que alguém resolva logo aquilo. Se você está em modo performance — tentando “ser uma boa líder”, manter a harmonia, resolver rápido —, você faz o que a maioria faz: interrompe o conflito, dá uma solução pronta, impõe um consenso falso. “Pessoal, vamos todos acalmar aqui. Vocês dois vão sentar juntos depois e resolver isso. Agora vamos focar na reunião.”
Todos saem da sala. O conflito não foi resolvido. Foi apenas adiado. E todos sabem disso. E, pior: todos aprenderam que, nessa equipe, desconforto emocional não é tolerado. Que conflito precisa ser escondido, não trabalhado. Que segurança psicológica é uma mentira — porque a líder, no momento de tensão real, fugiu.
Agora imagine a mesma situação, mas você está em presença real. Você entra na sala, sente a tensão, percebe o desconforto coletivo. E em vez de fugir, você senta. Respira. Olha para as duas pessoas em conflito e diz, devagar: “Ok. Vocês dois têm algo que precisa ser dito. Então vamos fazer diferente agora. Cada um vai falar, sem interrupção. Eu vou só ouvir primeiro. E todos nós vamos ouvir também. Porque se isso está acontecendo aqui, é importante.”
E você sustenta o silêncio que vem depois. Não foge dele. Não preenche com piada, com ordem, com solução pronta. Você apenas permanece. Ancorada. Regulada. E algo extraordinário acontece: o nível de agressividade cai. Porque você não está tentando controlar o conflito — está criando um espaço onde ele pode existir sem destruir ninguém. E quando você não foge, os outros também param de fugir. A primeira pessoa fala. Depois a segunda. E, lentamente, o que era conflito destrutivo se transforma em desacordo produtivo.
Você não usou “técnica de mediação de conflitos”. Você não aplicou “comunicação não-violenta”. Você simplesmente não colapsou. Seu sistema nervoso permaneceu ventral vagal, e isso permitiu que os outros sistemas nervosos se regulassem também. Isso é presença executiva como campo relacional.
E aqui está o que muda tudo: quando você lidera a partir de presença real, você não precisa fazer as pessoas confiarem em você. Elas confiam porque o sistema nervoso delas sente que você é segura. Não segura no sentido de “não vai errar”, mas segura no sentido de “não vai colapsar emocionalmente quando as coisas ficarem difíceis”. E isso — essa capacidade de permanecer regulada em meio ao caos — é o que cria lealdade real, não obediência performática.
Líderes que operam em performance criam equipes performáticas. Todos fingindo que está tudo bem, todos escondendo dificuldades, todos com medo de decepcionar. Líderes que operam em presença real criam equipes reais. Onde problemas são nomeados, onde desconforto é trabalhado, onde vulnerabilidade não é punida.
E isso não é sobre ser “legal” ou “empática”. É sobre não colapsar. É sobre sustentar tensão sem fugir dela. É sobre ter um sistema nervoso suficientemente regulado para que os outros possam se desregular temporariamente sem destruir tudo.
PRESENÇA NÃO É DECISÃO RÁPIDA — É SUSTENTAÇÃO DE AMBIGUIDADE
Existe uma pressão cultural imensa para que líderes decidam rápido. Decisão rápida é vista como sinal de competência, de clareza, de liderança forte. E, em contextos simples, isso faz sentido. Se o prédio está pegando fogo, você não convoca uma reunião para discutir as melhores rotas de evacuação. Você grita “SAIAM AGORA” e todos obedecem.
Mas a maioria dos desafios que líderes enfrentam hoje não são incêndios. São problemas complexos, ambíguos, onde não há resposta certa evidente, onde diferentes perspectivas revelam diferentes facetas da realidade, onde a melhor solução não está disponível no início — ela precisa emergir do processo de investigação coletiva. E nesses contextos, decisão rápida não é sinal de competência. É sinal de intolerância à ambiguidade.
Presença executiva real inclui a capacidade — rara, sofisticada, imensamente difícil — de permanecer no “não sei” sem colapsar. De sustentar a tensão da incerteza tempo suficiente para que uma terceira via, que ninguém havia visto inicialmente, possa emergir. E isso exige algo que a maioria dos líderes não tem: tolerância emocional ao desconforto prolongado.
Porque ambiguidade é desconfortável. Neurologicamente, o cérebro odeia incerteza. Incerteza ativa a amígdala, que interpreta ausência de clareza como ameaça potencial. E quando a amígdala dispara, o cérebro entra em modo de resolução rápida: ou busca consenso (para reduzir a tensão social), ou impõe uma decisão autoritária (para acabar logo com o desconforto). Ambas são fugas. Ambas evitam o trabalho real de habitar a pergunta até que ela revele a resposta.
Veja a diferença concreta: você está em uma decisão estratégica crucial. Metade da equipe quer solução A. Metade quer solução B. Ambas têm argumentos sólidos. Ambas têm riscos. E todos estão olhando para você, esperando que você decida. A pressão é palpável. O silêncio é desconfortável.
Se você está em performance — tentando parecer decisiva, tentando não decepcionar ninguém, tentando acabar logo com o desconforto —, você faz uma de duas coisas: ou busca consenso (“vamos fazer um meio-termo entre A e B”) ou impõe autoridade (“vamos fazer A porque eu decidi”). Ambas são fugas. O meio-termo dilui ambas as soluções e geralmente não funciona bem. A imposição autoritária resolve a tensão do momento, mas cria ressentimento, desengajamento, e você perde a inteligência coletiva que poderia ter gerado algo melhor.
Agora imagine a mesma situação, mas você está em presença real. Metade quer A, metade quer B, todos esperam sua decisão. E você respira. Sente o desconforto no corpo — a pressão no peito, a vontade de resolver logo, o medo de parecer indecisa. E você não foge desse desconforto. Você o sustenta. E diz, devagar: “Ainda não sei qual é a melhor decisão aqui. E não vou decidir até entendermos o que realmente estamos tentando resolver.”
Silêncio. Desconforto. Alguém tenta preencher o vazio com repetição de argumentos. Você escuta, mas não decide. Você continua habitando a pergunta. “O que mais não estamos vendo? Que premissa estamos assumindo sem questionar? Existe uma terceira opção que ninguém considerou ainda?”
E no meio desse desconforto sustentado, algo acontece. Alguém fala algo novo. Uma perspectiva que não havia sido considerada. Uma suposição que todos estavam fazendo inconscientemente. E, de repente, uma terceira via se revela — não A, não B, mas C, que ninguém havia visto porque estavam todos tentando resolver rápido demais.
Isso não é facilitação de reunião. Isso é presença executiva como capacidade de sustentar ambiguidade sem colapso. E isso exige duas coisas: interocepção apurada (consciência do que está acontecendo no seu corpo enquanto você sustenta o desconforto) e regulação top-down (capacidade de não reagir automaticamente ao impulso de fugir da incerteza).
A maioria dos líderes não desenvolve isso porque ninguém lhes ensina. Ensinam a “tomar decisões rápidas”. Ensinam a “demonstrar confiança mesmo quando não tem certeza”. Ensinam performance. Não ensinam presença. E a diferença entre as duas é que performance te faz parecer decisiva — mas presença te faz tomar decisões melhores.
Porque as melhores decisões, em contextos complexos, raramente são óbvias no início. Elas emergem quando você tem coragem de habitar a pergunta tempo suficiente. E essa coragem não vem de técnica. Vem de ter um sistema nervoso suficientemente regulado para que você consiga sustentar desconforto emocional prolongado sem precisar eliminá-lo com decisão prematura.
O PREÇO QUE NINGUÉM MENCIONA
E agora chegamos ao território que ninguém quer discutir. Porque tudo que foi dito até aqui soa, de certa forma, desejável. Quem não quer presença real? Quem não quer capacidade de regular o sistema nervoso, de criar campos relacionais saudáveis, de tomar decisões melhores? Parece que, se você desenvolver tudo isso, sua vida como líder será melhor, mais fácil, mais bem-sucedida.
E será. Em alguns aspectos.
Mas tem um custo. Um custo que os livros de liderança não mencionam, que os coaches evitam nomear, que as palestras motivacionais ignoram completamente. E é este: quando você para de performar e começa a habitar presença real, algumas pessoas não o reconhecem mais. E algumas dessas pessoas são pessoas que você ama.
Porque a versão de você que performava — que evitava conflitos, que buscava aprovação, que se ajustava para agradar, que carregava o fardo emocional dos outros para ser vista como indispensável — era confortável para muita gente. Confortável para o colega que dependia de você para validá-lo. Confortável para o chefe que o via como “sempre disponível, nunca reclama”. Confortável para a equipe que sabia que você nunca os desafiaria de verdade porque tinha medo de decepcioná-los.
E quando você morre para essa versão, quando você finalmente estabelece limites, quando você para de carregar o que não é seu, quando você diz não sem justificativas intermináveis, quando você toma decisões difíceis sem buscar consenso que dilui responsabilidade — algumas dessas pessoas vão se afastar. Algumas vão te criticar. Algumas vão dizer que “você mudou”, como se fosse acusação. E estão certas. Você mudou. Você deixou de ser a versão que era conveniente para elas.
E aqui está a pergunta que você precisa responder, sozinha, sem plateia, sem validação: você está disposta a ser menos amada pela versão antiga de você para finalmente ser respeitada pela versão verdadeira?
Porque essas duas coisas nem sempre são compatíveis. Algumas pessoas o amavam não porque te conheciam de verdade, mas porque você cumpria uma função nas vidas delas. E quando você deixa de cumprir essa função, o “amor” que elas sentiam se revela como transação. E isso dói.
Mas aqui está o que também acontece: quando você finalmente para de performar, quando você habita presença real, você atrai um tipo diferente de pessoa. Não aquelas que precisam que você seja pequena para se sentirem grandes. Não aquelas que dependem da sua fraqueza para sustentarem a própria ilusão de força. Mas aquelas que te respeitam exatamente porque você não finge mais. Aquelas que confiam em você precisamente porque você não colapsa. Aquelas que te seguem não porque você as agrada, mas porque você as desafia a serem melhores.
E essas relações — construídas sobre verdade, não sobre performance — são as únicas que sustentam liderança real. Porque liderança real não se mede por quantos lhe amam. Se mede por quantos crescem ao seu lado.
Você não chegou onde está para permanecer quem sempre foi. Você chegou onde está porque, em algum nível profundo, você sempre soube que era capaz de mais. Muito mais. E agora a vida está te exigindo — não pedindo, exigindo — que você abandone a versão segura, previsível, socialmente aprovada de si mesma e se torne a versão verdadeira.
Aquela que não pede permissão. Aquela que não evita desconforto. Aquela que não negocia sua integridade em troca de aprovação. Aquela que habita presença real — neurofisiologicamente regulada, relacionalmente ancorada, capaz de sustentar ambiguidade sem colapso.
Essa versão existe. Você já a sentiu emergir em momentos de pressão extrema, quando não havia tempo para performar e você simplesmente foi.
E a única coisa que separa você dessa versão não é competência. Não é experiência. Não é tempo. É escolha. A escolha de parar de proteger quem você tem sido e começar a descobrir quem você pode ser.
E se o preço dessa escolha for a solidão temporária de não ser mais reconhecida pelas pessoas que só amavam a versão antiga de você?
Então esse é o preço. E você decide se vale a pena.
O céu é o limite. Mas apenas para quem está disposta a soltar o chão.
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