
QUASE
Tem uma cena que não sai da minha cabeça.
Pódio olímpico. Pesquisadores pediram a observadores que avaliassem o rosto dos medalhistas segundos depois do fim da prova.
O bronze parecia mais feliz que a prata.
Quem chegou em terceiro olha para baixo e vê o quarto lugar — esteve perto de voltar para casa sem nada. Quem chegou em segundo olha para cima. E vê o ouro que quase foi dele.
Um ganhou uma medalha.
O outro perdeu uma.
Mesmo pódio. Vidas internas opostas.
A distância entre os dois não estava no resultado. Estava no que cada um ficou olhando.
━━━
Agora tira o pódio da cena.
Pensa na conversa que você quase teve.
No projeto que quase saiu da gaveta.
Na mudança que você quase fez — e que ainda aparece, de vez em quando, numa madrugada qualquer.
Na mensagem que você escreveu, releu… e apagou.
Repara.
O não, você esquece. Doeu, fechou, passou.
O talvez ainda respira. Ainda pode ser.
Mas o quase… o quase não fecha. Fica aberto, feito uma aba que você nunca teve coragem de fechar. E a mente não sabe largar o que ficou inacabado — volta, recalcula, cobra juros de uma dívida que você nem lembra de ter assumido.
Não é à toa que, olhando para trás, a gente se arrepende muito mais do que não fez do que daquilo que fez e deu errado.
O erro vira história.
O quase vira assombração.
Porque o erro tem contorno. O quase não tem — e a imaginação preenche o vazio sempre com a melhor versão do que poderia ter sido.
━━━
Só que tem uma parte que pouca gente admite. Nem para si.
O quase não é só falta de coragem.
Às vezes, é abrigo.
Enquanto você não tenta de verdade, existe uma versão sua que poderia ter conseguido. Intacta. Invicta. Ela mora no quase — e é por isso que a gente cuida tanto dela.
Não é preguiça. Não é fraqueza. É uma negociação silenciosa: você troca a vida possível pela preservação de uma imagem.
O detalhe é que essa imagem não paga aluguel. Quem paga é você — em anos.
Tentar de verdade é arriscar conhecer quem você é sem ela.
Então a gente vai até a borda. Encosta. Sente o calor. E recua um centímetro antes do ponto sem volta.
Morno.
Nem o frio de quem desistiu, nem o calor de quem se entregou.
O quase é o único lugar onde você nunca perde.
Também é o único onde você nunca chega.
━━━
Isso é só a superfície do que escrevi.
No artigo completo, eu atravesso para o outro lado do quase — e mostro por que a pergunta que costuma nos manter parados está formulada do jeito errado.
Se fizer sentido para você ir além: https://marcellodesouza.com.br/alem-do-quase/
E no blog tem centenas de outras reflexões sobre comportamento, relações e desenvolvimento humano, para quem gosta de pensar um pouco mais fundo.
Fico com uma pergunta para você:
Qual versão sua está morando no seu quase — e o que exatamente ela perderia se você, enfim, tentasse?
#marcellodesouza #marcellodesouzaoficial #coachingevoce #desenvolvimentohumano #desenvolvimentocomportamental #autoconhecimento #comportamentohumano #neurociencia #psicologiacomportamental #tomadadedecisao #coragem #liderancaconsciente
Se isso fez sentido para você, existe um próximo passo possível
Algumas reflexões não terminam no conteúdo — elas continuam em forma de diálogo, aprofundamento ou sustentação de um trabalho contínuo.
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